Posts de Junho, 2007

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Destino: Nova Zelândia

Junho 22, 2007

Quando a bondade de Deus é palpável

Aquela seria minha primeira grande viagem. A primeira viagem internacional. A primeira com a aterrorizante imigração. A primeira com cartões internacionais e moedas diferentes. A primeira utilizando outra língua e participando de outra cultura. A primeira com tanto desejo de que tudo desse certo.

Hoje é meu segundo dia em Auckland, Nova Zelândia. Estou sozinha em meu quarto, no Railway Campus, acordada às 7h da manhã de domingo (esse fuso horário é capaz de muitas coisas!), relembrando cada momento da viagem e de como tudo começou. Há três meses atrás uma amiga-colega de trabalho me contagiou com sua vontade de morar no exterior. Ela queria ir para os EUA, em um programa chamado Au Pair. Pensei no assunto, mas decidi vir pra Nova Zelândia e conhecer a pequena ilha recheada de surpresas. Não foi uma decisão cega, impensada ou independente. Conversei com meus pais, pedi orientação para pastores e amigos, me entreguei nas mãos de Deus.

Foram dois meses de preparação. Passaporte, dólares, agência, papelada, malas, contatos, expectativa, ansiedade, choro, saudade antecipada, frio na barriga, inglês, inglês, inglês… tudo girava em torno do destino planejado. Quando algo falhava, era Deus dizendo para eu confiar apenas nele e sossegar minha alma agitada. No dia anterior a minha partida, amigos e familiares fizeram um delicioso churrasco (com direito a carne de ovelha!), com abraços, orações e lágrimas. No aeroporto a despedida mais dolorosa – meus pais. Ao mesmo tempo em que é difícil deixa-los, só consigo por causa deles. Essa é uma verdade que deve lhe acompanhar: o que você mais ama deve lhe impulsionar a novas experiências e não lhe impedir de experimentar!

Saí de Porto Alegre no horário previsto. Nenhum atraso, apesar de a semana ter sido turbulenta para a Infraero. Em São Paulo, no aeroporto internacional de Guarulhos, um momento do céu. Caminhando pelos corredores, antes de abrir o check-in, vi uma capela ecumênica e senti o desejo de entrar, mas avistei apenas um muçulmano fazendo suas orações. Hesitei. Mais alguns minutos andando e ouvi o anúncio: “hoje, às 12h30, culto evangélico na capela ecumênica”. Fui logo para lá e, junto com cerca de 30 irmãos, louvei ao Senhor, ouvi sua palavra, recebi sua benção para a viagem. Logo depois dois amigos meus chegaram. Eles também viajaram apenas para dizer “tchau”. Não há nada como rir e se divertir quando a tensão começa a bater. Eles estão sempre por ali quando você precisa e eles também sabem que, apesar da distância, o melhor é você ir…

Sem fila no check-in, sem tumulto no raio-x, novos amigos no Duty Free Shop! A partir daquele momento, quanto mais me aproximava do destino, mais certeza tinha de estar indo para o lugar certo. Deixa-me feliz o fato de eu ir mesmo sem absoluta certeza do caminho. Já vivenciou isso? Você entende que aquela é a direção de Deus para sua vida, mas não sabe exatamente porque, insistindo em pensar que as coisas podem dar errado? Essa é a base de uma das frases mais importantes em minha vida, dita por Joyce Meyer: “não há nada como confiar em Deus sem perguntas respondidas”. Você não sabe tudo o que irá acontecer, nem mesmo porque algumas coisas no caminho te afligem, mas você segue em frente e sabe quem lhe dirige!

Na imigração, eles me barraram. Mas eu já sabia o porquê – era um teste, um teste dos céus. “Você confiou em mim até aqui, perderia sua paz por tão pouco, sabendo que eu nunca lhe abandonaria?” – eram as palavras dEle para mim. Sosseguei minha alma e cantarolei alguma música do Kirk Franklin enquanto aguardava. Ali estava – meu passaporte com os 3 meses de visto. Era o início de um novo tempo e eu faria valer a pena cada dia.

A cada dia, aqui em Auckland, vejo a bondade de Deus me acompanhando. Conheci pessoas de cerca de 10 países diferentes – e entre o inglês mal falado e alguns gestos e caretas, conseguimos nos comunicar. Após um teste de inglês, fui encaminhada a uma turma de inglês bem avançado. Quis desistir. Falei com o professor, mas ele apostou 15 dólares como eu conseguia continuar. Hoje, na rua, uma menina (não lembro exatamente, creio ser da Noruega) disse que me confundiu com uma neozelandês. Já é a segunda… Quer algo melhor que isso?

Estou certa de não ser merecedora de tanta bondade. Nem eu e, me desculpe, nem você. Seja na Nova Zelândia, Arábia, Colômbia, Brasil ou aonde for, o amor do Senhor nos acompanha. Eu vivenciei momentos como esse em meu país também. Quero continuar provando dessa doce alegria em receber bênçãos celestiais a cada dia que viver.

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Just Waiting

Junho 17, 2007

Quando a ansiedade é posta de lado, a expectativa revive.

Ansiedade. A palavra lhe soa familiar? Infelizmente sou cercada por ela, dia após dia. Poderia citar inúmeras situações capazes de agitar meu espírito e fazer um reboliço em minhas emoções, mas certamente você tem seus próprios exemplos. Vamos lá, recapitule seu dia. A fatura do cartão de crédito chegou mais alta do que imaginou; seu primo adoeceu gravemente; as crianças descobriram novas formas de levar você a loucura; seu cônjuge está com problemas no emprego; você não se sente feliz. O que poderia acontecer? Como resolver? Por que tudo parece acontecer comigo? “E se eu…”. Não é sempre assim que ela chega?

Sempre tentamos fazer tudo o que está a nosso alcance. Tudo o que podemos, até que nos reste apenas Deus. Você fez todo o natural esperando pelos milagres, mas não lembrou que estes acontecem justamente quando o sobrenatural está em evidência. Torna-se impossível pensar nisso, a ânsia por algo faz-nos esquecermos de tudo o que foge de nossa capacidade. Além de nossas ações desenfreadas, pensamos: “precisa acontecer, precisa ser assim…”. Quando ansiosos, nossa pergunta companheira resume-se a “será?”. Mas e se criássemos expectativa e colocássemos de lado a ansiedade? Teríamos mudanças significativas em nossos dias?

Você sabe, ansiedade não faz bem a ninguém. Na Bíblia, dezenas de recomendações nos alertam sobre o substantivo devassador. “Não andeis ansiosos por coisa alguma…”. Por coisa alguma, Deus?, você pensa. É, por coisa alguma. A ansiedade nos arremessa ao campo do medo, da insegurança, do desconhecido, do aterrorizante, deixando-nos aflitos. Não conseguimos fazer muita coisa quando ela bate a porta. Andamos de um lado para o outro, choramos, pensamos, pensamos, pensamos, e voltamos ao mesmo ponto, sem resolver. Então, nos convencemos do mal causado pela ansiedade e desistimos dela. Existiria uma possível troca?

Você sabe, quando largamos um vício, é comum substituirmos o mau hábito por outro melhor. Você larga o cigarro e masca chicletes. Troca o consumismo por uma minuciosa pesquisa de preços. Desliga a TV e adota um livro! E a ansiedade? Substituímos pela expectativa.

Diferente da ansiedade, a expectativa só espera acontecer. Sem força, ela age como um bummerang, lança sua situação, recorre a Alguém especial e, crendo, declara: “eu sei que…”. A expectativa tem esperança e aguarda algo que vai acontecer. Uma pessoa com expectativa tem sua esperança baseada em promessas, por isso situações adversas não o abalam e a ansiedade não consegue vaga em sua vida.

Conheço a história de um casal que viveu esses dois substantivos, cada um, um deles (até porque, aquele que tem expectativa não vive a ansiedade). Uma senhora, avançada em idade e casada há muitos anos, esperava por um filho – ou melhor, ansiava! Seu marido, um senhor de noventa e poucos anos, recebeu a palavra de Deus, dizendo que seria pai. Você sabe o que eles fizeram? Ela agiu. Ele esperou. Ela caminhava pela casa, repetindo, “esse plano precisa dar certo…é o único jeito”. Ele? “Eu sei, a promessa vai se cumprir”. Ela desistiu e tentou remendar a situação para que a situação se regularizasse. Ele continuou esperando.

Sara e Abraão. Ela, cheia de ansiedade. Ele, repleto de expectativa. E você sabe o final da história…

Vez após outra, nossa tentativa é resolver os problemas, encaminhar as situações, encarar o futuro (como se este nos pertencesse) e isso tudo com doses generosas de ansiedade. Deitamos e, sem mérito, tentamos alcançar o sono. Mas ele não pode vir, tampouco a paz. São incompatíveis com a agitação da ansiedade. Então, nos damos conta de que a ansiedade é deixada de lado com uma simples oração. “…em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças” (Fp 4.6). E assim, o sono chega e a paz invade, excede o entendimento e guarda nosso coração.

Nossa confiança, posta em Deus Pai, nos leva a um estilo de vida diferente e, a propósito, mais elevado. Quando temos expectativa do que Deus fará, estamos confiando de que o controle é dEle e que o melhor será feito. Ele já sabia que isso aconteceria. Ele também sabe o que vai acontecer. Por que, então, não deixamos o que está acontecendo com Ele? Entregue e espere. A expectativa irá brotar e a ansiedade sorver. Perceba o quanto Deus é bom – Ele só espera que você espere, esperançosamente.