Quando a bondade de Deus é palpável
Aquela seria minha primeira grande viagem. A primeira viagem internacional. A primeira com a aterrorizante imigração. A primeira com cartões internacionais e moedas diferentes. A primeira utilizando outra língua e participando de outra cultura. A primeira com tanto desejo de que tudo desse certo.
Hoje é meu segundo dia em Auckland, Nova Zelândia. Estou sozinha em meu quarto, no Railway Campus, acordada às 7h da manhã de domingo (esse fuso horário é capaz de muitas coisas!), relembrando cada momento da viagem e de como tudo começou. Há três meses atrás uma amiga-colega de trabalho me contagiou com sua vontade de morar no exterior. Ela queria ir para os EUA, em um programa chamado Au Pair. Pensei no assunto, mas decidi vir pra Nova Zelândia e conhecer a pequena ilha recheada de surpresas. Não foi uma decisão cega, impensada ou independente. Conversei com meus pais, pedi orientação para pastores e amigos, me entreguei nas mãos de Deus.
Foram dois meses de preparação. Passaporte, dólares, agência, papelada, malas, contatos, expectativa, ansiedade, choro, saudade antecipada, frio na barriga, inglês, inglês, inglês… tudo girava em torno do destino planejado. Quando algo falhava, era Deus dizendo para eu confiar apenas nele e sossegar minha alma agitada. No dia anterior a minha partida, amigos e familiares fizeram um delicioso churrasco (com direito a carne de ovelha!), com abraços, orações e lágrimas. No aeroporto a despedida mais dolorosa – meus pais. Ao mesmo tempo em que é difícil deixa-los, só consigo por causa deles. Essa é uma verdade que deve lhe acompanhar: o que você mais ama deve lhe impulsionar a novas experiências e não lhe impedir de experimentar!
Saí de Porto Alegre no horário previsto. Nenhum atraso, apesar de a semana ter sido turbulenta para a Infraero. Em São Paulo, no aeroporto internacional de Guarulhos, um momento do céu. Caminhando pelos corredores, antes de abrir o check-in, vi uma capela ecumênica e senti o desejo de entrar, mas avistei apenas um muçulmano fazendo suas orações. Hesitei. Mais alguns minutos andando e ouvi o anúncio: “hoje, às 12h30, culto evangélico na capela ecumênica”. Fui logo para lá e, junto com cerca de 30 irmãos, louvei ao Senhor, ouvi sua palavra, recebi sua benção para a viagem. Logo depois dois amigos meus chegaram. Eles também viajaram apenas para dizer “tchau”. Não há nada como rir e se divertir quando a tensão começa a bater. Eles estão sempre por ali quando você precisa e eles também sabem que, apesar da distância, o melhor é você ir…
Sem fila no check-in, sem tumulto no raio-x, novos amigos no Duty Free Shop! A partir daquele momento, quanto mais me aproximava do destino, mais certeza tinha de estar indo para o lugar certo. Deixa-me feliz o fato de eu ir mesmo sem absoluta certeza do caminho. Já vivenciou isso? Você entende que aquela é a direção de Deus para sua vida, mas não sabe exatamente porque, insistindo em pensar que as coisas podem dar errado? Essa é a base de uma das frases mais importantes em minha vida, dita por Joyce Meyer: “não há nada como confiar em Deus sem perguntas respondidas”. Você não sabe tudo o que irá acontecer, nem mesmo porque algumas coisas no caminho te afligem, mas você segue em frente e sabe quem lhe dirige!
Na imigração, eles me barraram. Mas eu já sabia o porquê – era um teste, um teste dos céus. “Você confiou em mim até aqui, perderia sua paz por tão pouco, sabendo que eu nunca lhe abandonaria?” – eram as palavras dEle para mim. Sosseguei minha alma e cantarolei alguma música do Kirk Franklin enquanto aguardava. Ali estava – meu passaporte com os 3 meses de visto. Era o início de um novo tempo e eu faria valer a pena cada dia.
A cada dia, aqui em Auckland, vejo a bondade de Deus me acompanhando. Conheci pessoas de cerca de 10 países diferentes – e entre o inglês mal falado e alguns gestos e caretas, conseguimos nos comunicar. Após um teste de inglês, fui encaminhada a uma turma de inglês bem avançado. Quis desistir. Falei com o professor, mas ele apostou 15 dólares como eu conseguia continuar. Hoje, na rua, uma menina (não lembro exatamente, creio ser da Noruega) disse que me confundiu com uma neozelandês. Já é a segunda… Quer algo melhor que isso?
Estou certa de não ser merecedora de tanta bondade. Nem eu e, me desculpe, nem você. Seja na Nova Zelândia, Arábia, Colômbia, Brasil ou aonde for, o amor do Senhor nos acompanha. Eu vivenciei momentos como esse em meu país também. Quero continuar provando dessa doce alegria em receber bênçãos celestiais a cada dia que viver.

