Posts de Julho, 2007

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Be a witness

Julho 25, 2007

Porque graça recebida é graça compartilhada…

Rick Warren says: “God has a purpose behind every problem. He uses circumstances to develop our character. In fact, He often depends more on circumstances to make us like Jesus than He does on our reading the Bible. And the reason is obvious: we face circumstances 24-hours-a-day. [The Word for Today]

Esse seria o devocional do dia 19 de Julho, terça-feira passada, quando tudo aconteceu. Deixe-me recapitular a pequena trajetória desde que cheguei a Nova Zelândia. Desembarquei no dia 16 de Junho. Meus amigos, Kleber e Leandro, me buscaram no aeroporto e, com eles, tive excelentes dias como “turista” aqui na terra dos kiwis. Mas meu curso de inglês terminou e com ele a acomodação, o dinheiro e o sossego. Agora, mais do que nunca, precisava de um emprego – e rápido.

Meus últimos N$260,00 eu dei no bond (caução) e comprei alguma coisa para comer na semana. Mas depois de 7 dias procurando emprego sem sucesso, o desespero bateu. Sai de casa, chorando, orando, reclamando (essa é a parte não-testemunhável) e cantando. Sim, cantando uma música que diz: “acredite, é hora de vencer…essa força vem de dentro de você”, misturada com outra que diz: “pode um milagre enfim, acontecer, quando você acreditar…”. Mas mais do que cantar, precisava crer no declarado. Avistei o aconchegante prédio da igreja batista da área onde moro e não hesitei em entrar. Fui até o jardim de infância (localizado na parte de trás da igreja) e ali tudo começou a acontecer. Veja o diálogo (desconsidere o português, aqui eu falo inglês, acredite!):
– Olá…eu queria visitar, conhecer a igreja. Posso?
- Claro, fique a vontade.
(a menina não disse exatamente o que eu deveria fazer, mas nisso chega outra mulher).
- Olá! Como vai?
- Bem, obrigada. Meu nome é Queila. Estou aqui visitando. Na verdade, procuro por um emprego.
- Hum, sei. Lamento. No momento precisamos de alguém com graduação.
(ela pega meu currículo que tenho em mãos).
- Eu trabalhei com crianças em minha igreja no Brasil. Mas sou Relações Públicas e estudei teologia…talvez se eu pudesse falar com o pastor, ver se posso ajuda-lo…
- Na verdade eu sou a esposa do pastor, responsável por tudo aqui. Venha comigo.

Ela me mostrou toda a igreja, o novo prédio, contou sobre o milagre de o governo ter liberado verba para a obra, e me levou até o Landon, pastor de jovens. Resumindo, em 10 minutos ela já tinha oferecido sua casa, disse que eu poderia morar com eles e que veria um emprego pra mim no jardim de infância. Adivinha se eu chorei?!

Sabe o que é isso? Prova da fidelidade de Deus. Eu não tinha mais dinheiro, então estaria em breve sem comida e sem lugar para morar. Mas o meu Pai providenciou tudo – como não poderia deixar de ser. Hoje tenho N$10,00 na carteira, mas estou em paz porque sei quem cuida de mim.

Eu não sei exatamente o que vai acontecer. Não sei o dia de amanhã. E por que deveria saber? Não é verdade que o melhor é confiar na sua graça, favor e bondade? Confiar de que Seus planos para mim são perfeitos? Confiar de que cada circunstância me levará a um lugar seguro, onde posso provar da misericórdia de meu Deus?

Ainda tenho uma longa jornada pela frente. Nem tudo está resolvido. Se for ver por olhos humanos, nada está. Mas aquele que foi fiel provendo o necessário para eu viajar, aquele que me fez passar pela imigração, aquele que me acolheu no primeiro mês (especialmente enquanto doente, de cama), aquele tem provido o necessário para mim também irá cuidar de cada detalhe adiante. Cada detalhe dessa história se encaixa perfeitamente – impossível contar tudo. Mas é como um filme bem produzido – afinal, o maior produtor de todos os tempos tem o enredo da minha vida em suas mãos.

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Roupas limpas, alma lavada.

Julho 15, 2007

A lavanderia de Deus…
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Você já teve essa sensação de estar sendo levado – por alguma coisa ou por alguém – a fazer algo diferente do planejado, não? Sua agenda foi cuidadosamente preenchida, os horários estão todos comprometidos, tudo perfeitamente encaminhado. Até o momento em que você é freado e levado a fazer algo completamente inusitado. Já aconteceu? Parabéns, você está no caminho certo – ou, pelo menos, está sendo guiado por Aquele que sabe bem qual o melhor caminho a seguir.

Hoje, enquanto escrevo, meu apoio não é uma escrivaninha, tampouco o colchão de minha cama confortável. A música de fundo não é a da banda preferida. Estou na lavanderia, ouvindo os estalos da máquina de lavar, enquanto minhas roupas são torcidas e limpas – assim espero. Acredite, isso não fora planejado. Eu nem mesmo tinha moedas compatíveis com a máquina! Mas de alguma forma, eu ouvi Deus dizendo: “vai lá… vamos ter um bom tempo juntos”.

Cantarolei algumas canções a respeito da bondade de Deus, relembrei frases, meditei em versículos, orei, (comi biscoitos – ninguém é de ferro, hein?), sosseguei. E com isso pude perceber o desejo de Deus em estar perto de mim – perto de seus filhos. Você pode imaginar o desprendimento de Deus em fazer isso acontecer? “Ok, anjos, vamos lá. Preciso de um tempo com minha filha…vocês precisam cooperar. Vou levá-la até a lavanderia. Lembrem-se, ela precisa de moedas de 1 dólares, mas não tem. Façam-na encontrar aquela menina muçulmana na cozinha para trocar algumas moedas com ela. Depois disso, deixem comigo, eu mesmo quero conversar com ela”. Muita ilusão?

Bem, eu não sei o quanto você consegue imaginar sobre conversas e acontecimentos no céu. Acho-me um tanto criativa nesses assuntos. Mas a verdade é que Deus nos leva a lugares calmos toda vez que precisa de um tempo conosco (ou, seria melhor dizer, toda vez que nós precisamos de um tempo a sós com Ele). Só que vez após outra, insistimos em nosso estilo de vida agitado, conturbado e barulhento. Por quê?

Estou certa, a inquietude é nossa maior fuga. Corremos de um lado pro outro, telefonamos, insistimos em ir ao supermercado, checamos os e-mails, preparamos alguma comida, checamos os e-mails novamente, procuramos algo para resolver e, tempo esgotado. O dia passou, a semana voou, o ano já terminou. E quando percebemos, tiramos tão pouco tempo para simplesmente estar a sós com Ele. É como se parar e pensar a respeito de tudo nos tornasse mais vulneráveis e necessitados da Sua ajuda – e longe de mim ser dependente de alguém, não? Isso de fato acontece, mas é um dos melhores acontecimentos da vida adulta. Crescemos uma sociedade insistente em dizer que devemos ser dependentes e decididos, com metas e planos bem focados. De repente você se pega na lavanderia – ou no telhado da casa, no estacionamento do shopping, na fila do banco – quieto, pensativo e duvidoso. Suas dúvidas sobre o que fazer, em quem confiar e o que seguir, começam a se expandir em sua mente, alcançando diferentes áreas de toda a sua vida. E então? Então você desvia sua atenção para o tempo de lavagem, a escada escorada na parede, a tabela de preços para 2h de estacionamento, a quantidade de dinheiro para pagar as contas. Afinal de contas, admitir que as coisas não vão bem e tirar um tempo pra pedir ajuda é inadmissível.

Fiz isso muitas vezes. Às vezes ainda insisto em velhos hábitos – tanto que meu Pai me faz lavar roupas às 9h da noite apenas para conversarmos. Mas quando estou com Ele, vejo a falta que me faz quando estou distante dEle. O que precisamos fazer? É tão simples – basta deixarmos as máquinas funcionando e os barulhos cibernéticos nos balançarem em nossas orações. Quando algo lhe empurrar a tirar um tempo, não hesite. Descanse, relaxe, aprenda a dividir suas preocupações com o Senhor. E se as roupas mancharem, estas serão apenas testemunhas de longas orações.