Apresentando, minhas últimas crises.
1. Há 4 anos atrás recebi meu diploma de Bacharel em Comunicação Social. A partir daquele dia, Relações Públicas. Mas, se levar em consideração testemunhos de pais, amigos e professores, a habilidade era perceptível antes mesmo do vestibular. Sempre gostei de falar, conversar, iniciar a conversa, inclusive. Quando algum assunto à mesa, ousadamente expunha minhas idéias. Se precisassem de líder, me dispunha. Poucas vezes fora racional, lógica ou prática ao resolver situações. Sempre acreditei em uma boa conversa e, em muitas delas, regadas a lágrimas. E de repente me encontro em um lugar onde, incontáveis vezes, me escondo das conversas. Ocupo-me com outras coisas, finjo não escutar, saio “da roda”. Não é engraçado? Acontece que há 4 meses estou morando fora, onde a língua falada é o Inglês Britânico (e confuso). Tenho aprendido bastante, aprimorado o idioma, adicionado novas palavras ao meu vocabulário, mas aqui eu não sou a menina da comunicação. Algumas vezes as pessoas conversam rapidamente sobre algo que tenho uma leve idéia do que seja, e então, prefiro deixar de lado. Talvez eu até domine o assunto, mas não nessa língua! Mas então, a habilidade de comunicar-me limita-se ao português? Se no Brasil sou expansiva e comunicativa, aqui sou taxada como tímida e quieta. Será que este foi o único jeito para aprender o que significa “escutar”?
2. As pessoas me encontram no MSN e dizem “Como você é corajosa! Foi para a Nova Zelândia sozinha…”. Alguns ousam falar que gostariam de ter a mesma iniciativa e força. Suspiro e baixo a cabeça ao imaginar o que diriam se eu contasse todas as crises que já vivenciei. Se corajosa, por que essa vontade de voltar? Por que o desespero de ficar sozinha e a ânsia de ter alguém para me acompanhar? Às vezes penso que só não tenho outras opções. Corajosa é aquela pessoa que poderia escolher o fácil e cômodo, mas decide ir por um caminho íngreme para conquistar o que deseja. Corajosa eu seria se viesse para a Nova Zelândia sem condições de voltar, até que fizesse isso por mim mesmo. Mas eu sei que meu ticket é válido e, na pior das hipóteses, passo 14h no avião e chego em casa, onde a coragem é posta de lado e meu medo é estagnado pelos braços dos meus pais. Coragem a gente aprende?
3. Umas das sensações mais emocionantes quando viajamos para outro país é entrar em uma igreja cristã. Eu nunca imaginara isso antes. Tudo pode ser diferente na cultura. A comida, os relacionamentos, a língua, a saudação, as preferências, T-U-D-O, exceto aquela sensação de adorar o mesmo Deus. Visitei cerca de 5 igrejas na Nova Zelândia, e em todas elas, apesar do inglês, me sinto “em casa”. Sei que meu Deus (em português!) está lá, e que as orações, a adoração, a crença, a esperança e a fé é uma só. Então, por que vez ou outra me falta a fé? Quando junior, aprendi que Deus é onipresente – presente em todos os lugares. Eu sinto isso. Do outro lado do mundo, sei que minha mãe ora por mim e Deus a ouve. E de uma forma incrível, Ele consegue estar em tantos lugares, sem esquecer de mim. Minhas crises de fé não têm a ver com Deus – ele continua imutável e onipresente. O problema, talvez, seja que eu, mudando de cidade, não consiga ser “sem sombra de variação”. Será que eu precisarei viajar o mundo todo para ter uma fé inabalável? Que a pequena ilha no Pacífico seja suficiente, amém.
4. Quase 2 meses sem escrever sequer uma linha! Bem, essas considerações não deixam de ser, de certa forma, um texto. Engraçado é vivenciar tantas coisas, pensar outro batalhão delas, e isso em função das coisas que acontecem, das pessoas esquisitas, das conversas inexplicáveis, e ainda assim não conseguir colocar no papel (sim, sim, no Word do laptop). Já duvidei de muitas habilidades minhas, mas em uma delas sempre acreditei veemente – a de escrever. Entretanto, isso também tem se transformado em dúvida freqüente. “Será que realmente posso escrever? E, se escrevo, qual o impacto disso na vida das pessoas ao lerem? Escrevo por escrever, ou escrevo para viver?” A verdade é que um texto a cada dois meses não faz de mim uma escritora.
INCREASE e IN CRISIS. Paro uns minutos e penso sobre essas grandes perguntas.
Se relações públicas, onde está a habilidade de me comunicar?
Se corajosa, por que a vontade de voltar atrás?
Se cristã, como me falta a fé?
Se escritora, como não consigo escrever?
A verdade é que tudo isso não é “in crisis”, mas sim “increase”, ou seja, é “aumento, crescimento”. Na pronúncia, semelhança; na prática, caminhos comuns; no resultado, diferença estonteante. Se pensarmos que cada momento difícil é uma crise, então já podemos ver os gráficos da vida em depressão. Mas se observarmos quão preciosos são os momentos de dificuldade e quanto podemos aprender em cada fase presenciada, o resultado será um aumento na paixão pela vida, pelo aprendizado, pelas fases e pelas oportunidades. O crescimento é certo quando, em crise, olhamos para os propósitos eternos de Deus e decidimos aprender que as dúvidas passam ao entendermos Suas respostas.
