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Quando precisei, estavas lá.

Novembro 30, 2007

Dos 5 anos de idade até os 9, estudei na melhor escola da cidade. Colégio evangélico, particular, professores qualificados, ótimas salas, grade curricular fantástica, aulas opcionais interessantíssimas. Há 4 anos lá dentro, já me sentia “dona” de tudo e estava completamente ambientada. Meus colegas eram os mesmos desde o pré, o que tornava tudo ainda melhor. Boas notas no final do ano de 91, expectativa da 4a série. Mas a situações financeira em casa não era das melhores e a melhor saída (ou, uma das) foi ir para uma escola estadual.

O primeiro dia de aula foi chocante para mim. Não conhecia ninguém, absolutamente ninguém. A professora parecia falar outra língua (eu na verdade não conseguia prestar atenção em nada). Eu lembro bem daquele dia. A sala era amarelada, os colegas não estavam uniformizados, o meu material novo não fazia sentido. As paredes não tinham sido pintadas e o ambiente era gélido e gelado. No intervalo, perambulei sozinha, tentando encontrar alguma sombra aconchegante e me esforçando para ver o melhor de tudo aquilo, embora isso não seja fácil para crianças. Eu não queria estar ali.

No dia seguinte foi anunciado greve nas escolas estaduais. Estava feliz por não precisar voltar, mas ao mesmo tempo não tinha um amigo sequer da vizinhança para brincar – todos estavam na escola. Uns amigos norte-americanos de meu pai, ficaram tristes com a situação de eu não estar estudando e por não estar na escola “de sempre”. Resolveram enviar uma ajuda, em dólar e eu voltei para o “meu” colégio.

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Se você é ou já foi adolescente, sabe quanto valor o “grupo” tem. Você se identifica com ele, se veste como seus integrantes, sai junto, tira fotos, planeja finais de semana, conta histórias. Todo adolescente precisa de um. Eu tinha cerca de 13 anos e na igreja onde participava eu não conseguia “entrar” no grupo das Cobras (esse era o nome do grupo de meninas da igreja!). Pode imaginar quanta frustração? Eu chegava em casa e chorava para minha mãe, dizendo querer participar, ser amiga delas. Meu maior desafio era conquistar o coração da Flávia, manda-chuva na época (não se preocupem, somos boas amigas hoje!). Mas não tinha jeito…eu era arrumadinha demais, certinha demais, vestidinha demais para as Cobras. Até o dia em que a boa-samaritana, Dani, olhou pra mim. Encontrou em mim uma amiga, alguém que, apesar das diferenças, poderia fazer parte das Cobras. E mesmo que não fizesse, tinha peito o suficiente para levar adiante aquela amizade. Sim, eu entrei para as Cobras. Atrasada, mas entrei. Hoje, temos histórias juntas pra contar, rimos das mesmas bobices, lembramos de momentos, ridicularizamos valores da época, trocamos mensagens na comunidade do orkut e declaramos, “uma vez cobra, sempre cobra”.

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Você já quis muito comer um chocolate e não ver possibilidades naquele momento? Ano de 2004, 1o ano de CTMDT. Quase 10h da noite, mais do que na hora de estarmos dentro dos quartos. Passei no quarto de algumas amigas e perguntei se tinham um chocolate. Ninguém. Insisti com alguns meninos, nada. A cantina? Fechada há algum tempo. Quando se quer muito algo doce – e naquele momento, especificamente, um chocolate – não adiante escovar os dentes ou tomar água pra vontade passar. E agora, ia dormir e sonhar com chocolate? Ou iria me revirar na cama, tentando lembrar se em alguma gaveta ainda tinha algum? Ou quem sabe esperar todos dormirem, pegar um grampo de cabelo e arrombar a cantina?! (essa parte é pura imaginação da escritora aqui…não passou por minha cabeça na época). Bem, cabisbaixa voltei para meu quarto, almejando um chocolate. Dei boa noite para algumas meninas no corredor, questionei mais algumas acerca do doce, afirmei para a discipuladora que sim, eu estava indo para o quarto naquele momento (nada de disciplina, não hoje, por favor). Cheguei no quarto e a maior surpresa: um bilhetinho (lindo, mas não foi a melhor parte) com um chocolate – Ferrero Rocher! Uma amiga (ela não sabia da minha vontade doentia por um chocolate naquela noite) deixara para mim.

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Cerca de 10h da manha, saí de casa, chorando, rumo ao nada. Auckland, agosto de 2007. Na conta bancária, apenas $10,00. Sem esperança, sem emprego, sem dinheiro para pagar o próximo aluguel, comprar miojo e por aí vai. Na rua, cantarolava baixinho uma música que diz “pode um milagre, enfim, acontecer quando você acreditar…”. Avistei uma igreja, resolvi entrar e em poucos minutos eu já tinha casa e comida de graça e emprego.

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Hoje encontrei um texto que diz: “When the time came, I listened to you, and when you needed help, I came to save you. That time has come. This is the day for you to be saved”. (II Co 6:2). Não é que é verdade? Quando o tempo de necessidade chegou, Ele veio, me ajudou e salvou. Hoje é dia de ser salvo e eu conheço um “expert” em salvar nossos dias, mesmo quando em nossas mentes não existem mais soluções para más situações. Todas as vez em que precisei, Deus estava lá. Hoje eu preciso, e adivinhe onde Ele está?

3 comentários

  1. Amigaaa, que texto lindo…sempre, sempre o Senhor estava lá… até para entrar nas cobras…hueheuehu..
    Queila querida, eu sei q vc deve estar preocupada, e não tiro tua razão… mas tenta descansar e confiar, apenas confiar… pq ELE está lá…
    Amo vc…
    Se cuida


  2. Parabéns pelo seu trabalho!!!!!!!!!!!!


  3. Num 23:19 Deus não é homem, para que minta; nem filho do homem, para que se arrependa. Porventura, tendo ele dito, não o fará? ou, havendo falado, não o cumprirá?

    Jer 33:3 Clama a mim, e responder-te-ei, e anunciar-te-ei coisas grandes e ocultas, que não sabes.

    Jer 1:12 Então me disse o Senhor: Viste bem; porque eu velo sobre a minha palavra para a cumprir.



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