Transformando você em “branco cor de neve”
Não entendemos certos textos bíblicos por falta de discernimento espiritual, outros, porém, por falta de experiência no natural. Em minha igreja costumávamos cantar um hino que diz: “alvo mais que a neve, alvo mais que a neve, se por teu sangue lavado, mais alvo que a neve serei”. Obviamente, eu sabia o que era neve. Conhecia as condições climáticas capazes de provocar uma precipitação de cristais de gelo, em geral de forma hexagonal e intricadamente ramificados, e por vezes aglomerados em flocos (ta certo, eu copiei do dicionário!), mas enfim, já tinha visto na televisão, estudado na escola, imaginando a sensação ao pegar o “gelo fofinho”. Nessa madrugada, porém, o conhecimento foi além dos livros, imaginação ou televisão. Eu vi. Às 6 da manhã acordei e vi um manto branco, espesso, e pequenos flocos a cair, sem fim. Mais tarde, toquei, comi, brinquei, montei boneco de neve (ficou horrível!), pisei, bati fotos, filmei, enfim, vivenciei a neve. É linda. É atrativa. É pura.
Talvez pela primeira vez eu tenha entendido a comparação feita pela Bíblia. Em Isaías 1:18 diz, “..ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve…”. Quando vemos a neve, frente a frente, percebemos que qualquer cor é suja demais, impura demais, indigna demais para o branco-neve. Não é incrível? Se minhas meias lavadas com sabão em pó Omo já são sujas o bastante perante o branco-neve, quanto mais o vermelho intenso dos meus pecados? Como pôde Deus propor tamanha santificação em nossa vida diante dessa diferença gritante?
Pense que seu filho (ou sobrinho, irmão, primo) de 3 anos de idade recebeu um típico desenho natalino do hemisfério norte para colorir. Neste desenho, uma rua com várias casas, cobertas por neve. Hienas voam no céu, com Santa Claus, luzinhas colorem as casas, crianças abrem presentes. O único problema é que ao iniciar a pintura, esse pequenininho ignorou o fato da neve ser branca e, com entusiasmo, pintou-a de vermelho escarlate. Como voltar atrás? Quanto branco seria necessário para limpar a imundice do vermelho?
Sim, esta é a pintura de nossa vida.
Porque Jesus é branco puro e santo, através de sua graça abundante e suficiente, a pintura foi refeita. Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo! (Jo 1:29) Através de seu sacrifício completo na cruz, somos lavados de nossos pecados e colocados numa posição de justos, limpos, puros, santos. Eu sei, custamos a crer. “Eu santo, puro, limpo? Você deve estar falando do pastor, de minha mãe ou Tereza de Calcutá”. Incrível como sempre pensamos ser uma questão de obras e não de graça! Deus, por seu imenso amor, nos deu Sua justiça através de Jesus Cristo. Isso significa que hoje temos a habilidade de permanecer na presença de Deus, sem qualquer sentimento de medo, culpa ou inferioridade, como se o pecado nunca tivesse existido. Puros. Alvos como a neve.
Existe uma vida branco-neve esperando por nós. Ele foi capaz de branquejar a vermelhidão de nossos pecados, alvejar o encardido de nossa alma e está pronto a nos purificar tão logo a menor manchinha apareça em nosso percurso. O desenho foi traçado, basta escolhermos a cor certa para colorir. A vida de santidade nos pertence, basta andarmos de acordo com o que já recebemos.
Lá fora, a neve continua caindo, branquejando casas, montanhas e dias. Aqui dentro, em meu coração, o vermelho começa a sumir, e o branco-neve de Sua santidade, a me cobrir. E graças a Ele, o acesso à Sua purificação não acontecer apenas uma vez ao ano, quando a temperatura marca zero grau. No céu, o branco-neve de sua pureza é constante, e nem mesmo o calor de Seu amor consegue derreter.
Queila da Rosa
5 julho, 2008
Manhã, primeira vez que vi neve.
