Arquivo da categoria ‘escrevivo’

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Um pai para casar!

Agosto 8, 2009

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Por volta dos 5 anos de idade, minha fixação por casamento era ainda maior do que hoje, solteira aos 27. Todos os pequenos detalhes eram planejados, desde meu vestido, flores, cerimônia, músicas de entrada, e até mesmo o noivo! Sim, todo o planejamento poderia falhar, mas o noivo escolhido era sempre o mesmo. E adivinhe quem? Meu pai! Para mim, ele era simplesmente o máximo! Entrando nos seus 40, ele era bonito, presente em casa, trabalhador, inteligente e, o mais importante, me amava! Não havia noivo melhor do que meu pai – todos os outros não chegariam aos seus pés! As discussões sobre a provável poligamia não me afetavam.

- Mas Queila, o teu pai já é casado com a tua mãe! Não pode casar-se novamente!
- Pode sim, minha mãe deixa! – eu afirmava, teimosamente batendo o pézinho.

Obviamente, aquele era um sonho de criança e, por conseqüência, sem nenhum cabimento. Prova, porém, que eu via em meu pai um homem-modelo, alguém em quem eu apostaria minhas fichas, pois o amor era mútuo.

Creio que Deus busca em cada pai um caráter moldado à luz da Palavra e uma vida que seja exemplo para os filhos. Quantos filhos têm olhado para a mídia, procurando por um modelo a seguir? Quantas crianças já não se importam com a presença do pai, já que este não traz nenhuma paz para dentro do lar? Quantas esposas já não nomeiam seus maridos como “sacerdotes do lar”, pois estes não têm se portado de acordo? Os pais precisam crescer no conhecimento de Deus até que possam afirmar, como Paulo, “Sede meus imitadores [meus filhos], como também eu sou de Cristo” – 1 Corintios 11.1 – inserção minha.

Quando crianças, os filhos têm maior prazer em imitar o pai. Com a adolescência e a juventude, mania de pai é alvo da frase “que brecha”, embora o amor nunca tenha se apagado. Quando adultos, percebemos que seu ensinamento, seu cuidado, seu amor e caráter foram essenciais na nossa formação. E o amor? Maduro e duradouro!

O tempo passou. Mas depois de todo esse tempo, ainda vejo o meu pai do mesmo jeito: bonito, presente em casa, trabalhador, inteligente e cheio de amor por mim! E hoje, com um bônus especial – meu pai tem um compromisso com o Senhor e serve a Deus com sua vida! Hoje desejo um Feliz Dia dos Pais e oro para que a vida de cada pai venha a refletir Cristo e ser o maior modelo para seus filhos. Hoje, tantos anos depois não desejo mais casar-me com meu pai, no entanto, desejo e faço votos que cada um de vocês sejam excelentes e escolhidos por seus filhos como o homem perfeito, a caminho do altar ou não.

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Novo ângulo!

Junho 19, 2009

Há 15 dias desembarquei no aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre com um mix de emoções incapazes de serem descritas. Após ter vivido na Nova Zelândia, a decisão de permanecer no Brasil trazia a expectativa e também a ansiedade pelo futuro inesperado.

Não foi a primeira vez que voltei ao Brasil após ter deixado o país, mas agora a sensação era diferente – teria que me acostumar novamente, a qualquer custo, com a vida aqui. E entre se acostumar e se acomodar, existe uma linha tênue a ser trabalhada e observada por todos nós. A partir do momento em que experimentamos algo diferente, encaramos a possibilidade de deixarmos o antigo pra trás e assumirmos o novo como sendo o melhor.

Em algumas situações, isso faz-se desnecessário, ou até mesmo perigoso. Depois de 3 dias em casa, arrisquei-me assumindo o volante. Seria tudo ao contrário, já que na Nova Zelândia dirige-se do lado esquerdo da rua. E mesmo sendo motorista habilitada há quase 10 anos, quase bati o carro! Deixei morrer o motor. Liguei o pára-brisa ao invés do sinal. Andei do lado contrário da rua e só percebi ao ver o motorista vizinho aproximar-se com o rosto um tanto aflito. Foi péssimo! Mas nada que 2 ou 3 vezes (com supervidores ao meu lado) não resolvessem o drama – eu logo, logo me acostumei com o trânsito.

Foi assim também com o café com leite (nada de latte, ou flat white, ou meu adorado caramel macchiato, a lá Starbucks), com a moda, com a língua (às vezes parece tão mais fácil falar em inglês), com o posto de gasolina, e “whatever else” que você possa pensar. Nos acostumamos, mudamos, adaptamos, ou, neste caso, voltamos a ser/fazer como era antes.

É como deve ser. O que não é essencial, é adaptável. Acabamos nos amoldando a outras preferencias pessoais, sistemas e modo de fazer – nada errado nisto. Observei, entretanto, que a partir do momento que experimentamos níveis mais elevados nos padrões condizentes a essência da vida, aí precisamos ajustar nossa “velha” maneira de pensar e propor uma mudança cultural ao invés de nos acomodarmos ao antigo sistema, por nós já rejeitado após uma experiência marcante.

Nesse tempo em que estive fora do país, percebi uma preocupação com qualidade de vida por parte dos neozeolandeses muito maior do que a nossa. Prática de exercícios físicos, preferência por lanches saudáveis e bebidas naturais às industrializadas, maior tempo com a família e uma ambição por se fazer da vida o que realmente gosta me “encheram os olhos”. Destas coisas, não abro mão. Eu sei, basicamente nós, brasileiros, gostamos de ficar em frente a televisão, somos viciados em coxinha frita e refrigerante, passamos os finais de semana com os amigos ou até mesmo desconhecidos e, se não bastasse, vamos ao trabalho como quem caminha em direção a cruz! Basta! Precisamos de um novo ângulo. Precisamos olhar para todas as experiências por nós já vivenciadas e reter algo de bom para nossas vidas. Se há algo para ser mudado, mudança seja feita!

Não há nada de errado em ser como somos. Mas há erro quando vemos que mudanças (para melhor) podem ser feitas e não as fazemos. Que cada um de nós encare o novo dia através de um novo ângulo, uma nova perspectiva, e que esta nos leve a uma vida ainda melhor, a uma perfeita novidade de vida.

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Para minha mãe…

Maio 11, 2009

Hoje, Dia das Mães, estou a 11 mil km de distância da minha. Mas todo o “espaço” entre nós no globo terrestre e as 13 horas de diferença em nosso fuso horário não mudam meu amor por ela e, sei, tampouco o dela por mim. É assim com toda mãe e filho(a): o carinho nunca morre, as conversas nunca terminam, o amor é constante.

Depois de quase 2 anos morando na Nova Zelândia, aprendi algumas coisas e gostaria de compartilhar algumas delas. E por favor, não se sinta culpado caso ainda não tenha percebido ou aprendido tais coisas. Apenas esteja certo de que, mais cedo ou mais tarde, a ficha acaba caindo. Sendo assim:

1º : Não importa qual for a culinária, comida de mãe é sempre a melhor!
Nessa experiência neo-zeolandês, já trabalhei como garçonete em churrascaria, restaurante italiano e restaurante francês. Os chefes, renomados. As receitas? De todos os lugares do mundo. Os queijos, condimentos, azeites e demais “pitadas de sal”, importados. Os preços, não para qualquer bolso! Nesses lugares já servi e fui servida. Todos os pratos que vendi e entreguei, também provei. Magníficos! Mas aí lembro daquele cheirinho de feijão ao chegar em casa, próximo ao meio-dia. É como se o aroma hipnotizasse a vizinhança inteira. Qualquer que passe pelo portão, arrisca: “feijão novo cumadre?!”. Enquanto a mesa é posta, a cuia de chimarrão passa de lá pra cá. Após a oração, todos se deleitam na comidinha da mamãe. Feijão, galinhada, strogonoff, salada de batata, sanduíche, não importa muito qual é o menu. Só de sabermos ter sido mamãe a cozinheira, tudo fica mais apetitoso; porque assim como aqui na NZ, ela pode até não usar Sazon, mas certamente faz com muito amor!

2º : Minha mãe é a verdadeira “Brastemp”!
Eu não sei quais são as marcas de maquinas de lavar/secar aqui na NZ, e pra falar a verdade, não estou interessada. Das duas, uma: ou não lavam direito ou lavam, mancham e encolhem minhas roupas. Há dois anos não sei o que é ter roupas lavadas, passadas e perfumadas! Minhas roupas não cheiram tão bem como as roupas lavadas em casa. Se roupa fosse gente, apresentaria as minhas ao “Sr. Ferro de Passar”, pois estas nunca o viram! Não adianta tentar, na casa da mãe as roupas são sempre limpas, macias e cheirosas – e vesti-las é como receber um abraço gostoso da nossa mãe!

3º : Conversa de mãe é conversa internacional!
Convivo com pessoas do mundo inteiro. Em meu ambiente de trabalho diversos lugares são representados: Inglaterra, Austrália, Índia, Filipinas, Áustria, Alemanha, República Tcheca, Chile, USA, Brasil (yes, somos nós!), África do Sul, e por aí vai…as conversas e culturas são as mais variadas possíveis. Mas há tipos de conversa que só a mãe consegue ter. É aquele bate-papo que dá a volta ao mundo todo, mas logo ali a frente imerge fundo em nossa alma. É um falar que restaura. É a troca de experiências que produz encorajamento. São palavras ressuscitadoras de sonhos…

Talvez você não tenha gostado do que escrevi. “Você pensa que cozinhar, lavar, passar e conversar é o que de melhor uma mãe pode oferecer?”. Bem, nesse exato momento eu adoraria poder desfrutar dessas três qualidades de minha mãe. Não importa se você é mãe e nunca lavou a roupa de seu filho. O que quero dizer é que são essas coisas básicas de “ser mãe” que de fato nós, filhos(as) apreciamos em vocês, mães. Porque não existe ninguém no mundo inteiro (nem mesmo no fim da Oceania!) que ame, cuide e nos satisfaça como filhos além de você, mãe. No dia de hoje, levantamos nossos olhos aos céus e agradecemos ao nosso Deus por sua vida. Obrigado por expressar seu amor materno de maneiras simples no nosso dia-a-dia, mas incapazes de serem esquecidas por nós filhos(as).

Feliz Dia das Mães
(e um beijo especial pra minha mamãe…logo estarei aí pra te abraçar!)