Arquivo da categoria ‘upwords’

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Terminou mas não acabou.

Novembro 5, 2009

Lições aprendidas no período pós-seminário

Eu tinha formado em Relações Públicas há apenas 4 dias e já partia para uma cidade desconhecida, rumo aos planos traçados. Profissão?! Bem, melhor dizer ministério. Com uma forte convicção, entendi que Deus me chamava para um período específico de aprendizado da Palavra e preparo para a obra que Ele de fato queria que eu cumprisse. Engavetei o diploma de bacharel e lá fui eu rumo a Belo Horizonte/MG, para estudar no Centro de Treinamento Ministerial Diante do Trono. Era Fevereiro de 2004.

Foram dois anos maravilhosos. Confusos em algumas áreas, tensos em outras, mas sem dúvida alguma foi um tempo de aprendizado, de receber ensino do Senhor e ser tratada em meu coração. Quando lembro daqueles 2 anos penso que acertei em muitas decisões, mas errei em tantas outras. Para os que me conhecem é fácil apontar em quais momentos eu acertei, porém poucos saberiam dizer em quais eu errei. Julguei mal. Caí. Não deixei Deus tratar até o fim porque doía. Abri mão do que não poderia. Perdi oportunidades por causa do orgulho, da preguiça e da falta de perspectiva.

Não, não escrevo para me lamentar. Uma verdade por mim conhecida e vivida é “Deus é bom e a Sua misericórdia dura para sempre”. O seminário terminou, mas não acabou a obra dEle em minha vida. Às vezes queremos que Deus encaixe Sua ação dentro do nosso tempo e ciclo, mas Ele é soberano e cumpre independente de nossa forma limitada de medir o tempo. Érica, minha discipuladora no 1º ano de seminário (mas intercessora e amiga até hoje) me escreveu pedindo para que eu compartilhasse o que fazer e o que não fazer após o seminário. De maneira didática, vou dividir com vocês minhas experiências pós-seminário.

1º: Recorde o que você viveu.
Já se passaram quatro anos desde minha formatura no seminário, mas ainda lembro de algumas coisas como se fosse hoje (e olha que memorizar não é meu forte!). Quando vejo fotos, deixo um recado pra ex-colegas no orkut, escuto alguma música cantada na escola de oração, quando vejo as anotações em minha Bíblia, tudo isso me lembra do tempo vivido. E quando recordo, é como se pudesse testemunhar para minha própria alma, para que dentro em mim os sonhos lá semeados não morram, mas cresçam e dêem frutos. Recordar é manter vivas as promessas do Senhor. É crer que Ele mesmo preparou um tempo – nesse caso, o seminário – para que os Seus sonhos encontrassem terreno fértil e preparado para dar fruto.

2º: Use o que você aprendeu
Confesso que meus cadernos e anotações continuam em algumas caixas no quartinho da bagunça. Entretanto, desde que terminei o seminário sempre procurei formas de colocar em prática o que ouvi e aprendi. Já dizia Confúcio, “a essência do conhecimento consiste em aplicá-lo, uma vez possuído”. Formei no seminário, trabalhei na escola por mais alguns meses e então Deus me deu um dos maiores presentes: fui convidada a trabalhar em uma mega-igreja, usando minha profissão de Relações Públicas e minha formação teológica. Depois de um ano e meio fui morar na Nova Zelândia e lá fiquei por 2 anos. Com um grande servo do Senhor, meu amigo Leiser, dediquei parte do meu tempo na formação de um grupo de estudos bíblicos para brasileiros. Começamos o grupo com 4 pessoas e após um ano o grupo tinha participação de 60 pessoas! O que aprendi passei adiante. Não existe recompensa maior do que testemunhar pessoas sendo transformadas através de nossas vidas.

3º: Continue estudando e buscando crescer em Deus
Formar-se em teologia não significa possuir toda a verdade. Em profissões seculares, os profissionais precisam de constantes atualizações para se manter aptos a exercerem as atividades com eficiência. Não entendo porque muitos pastores e ministros não fazem o mesmo! Precisamos alimentar nosso intelecto da mesma maneira que alimentamos o nosso espírito com a Palavra de Deus. Um pastor pronto para pastorear é aquele que conhece a sociedade a sua volta, que entende as dificuldades enfrentadas pela igreja atual e que não está alienado, mas confia no Senhor para alinhar inteligência e sabedoria. Não pense que o seminário cursado é absoluto em verdades. Esteja aberto para ouvir novas propostas, novas idéias, sempre pesando tudo e nunca abrindo mãos das verdades absolutas da Palavra de Deus.

Bem, até aí tudo certo. Mas o que não podemos (ou pelo menos não deveríamos) fazer?

1º: Não se compare aos seus colegas
Depois de algum tempo formada no seminário, percebi que apesar de Deus me usar no ministério, ainda não estava totalmente pronta para a obra e precisei passar por mais um tempo de preparo. Na verdade, penso que a cada dia sou “melhorada” pelo Espírito Santo para poder fazer aquilo que Deus espera de minha vida. O fato é que inúmeras vezes me comparei a meus colegas. Alguns deles atuam de tempo integral no ministério. Vi pastores de ministérios e congregações. Vi ministros de louvor. Vi gente gravando CD, publicando livros. E eu? Eu ouvi uma frase! “Comparação é orgulho. Ou você se acha superior a alguém ou inferior. E em qualquer uma das duas opções, é orgulho pensar que poderíamos criar padrões diante da soberania de Deus”. É uma tarefa árdua, mas tenho me policiado para não me comparar aos outros. Se Deus me fez assim e me colocou onde estou, certamente tem planos para mim neste lugar!

2º: Não aguarde o ministério perfeito para então se envolver
Sempre temos algo do que reclamar. É o novo pastor que chegou; os jovens que não se envolvem no trabalho missionário; as decisões tomadas pelas diretoria que não agradam. Para esse problema, também ouvi e aprendi algo, dito por meu professor e sábio pastor na época do seminário: “Murmurar é dizer: se eu estivesse no lugar de Deus, eu faria diferente”. E lá estamos nós, assumindo postos divinos, tentando ajeitar as pessoas, consertar o mundo para então colocarmos os pingos nos is! Quando pararmos de reclamar e começarmos a agir como verdadeiros cristãos, apesar da imperfeição de nossos ministérios, então vamos impactar um mundo que está carente, não de planejamento estratégico, mas de ações baseadas em amor.

3º: Não duvide do seu chamado
Com o passar do tempo, esquecemos do que Ele prometeu. Somos assim, relapsos, com quase todas as promessas que vivemos. Prometemos desempenhar nossa profissão com ética e igualdade, até o desânimo chegar com a falta do pagamento. Prometemos amar nosso cônjuge na saúde ou na doença, até a invalidez bater às portas do matrimônio. Prometemos ir e pregar, até os confins da Terra, até deixarmos os interesses pessoais se sobreporem ao amor pelo perdido. O mundo oferece tantas possibilidades, nos destacamos na vida profissional, nos deparamos com ofertas incríveis e então duvidamos de um dia termos ouvido a chamada do Mestre. “Deve ter sido empolgação…nada aconteceu depois de toda minha preparação ministerial”. Não duvide! Ele não se atrasa e nunca duvidou de que você responderia ao Seu chamado para representá-Lo aqui nesse mundo.

Você pode estar começando o seminário agora, ou terminando. Pode estar cursando a faculdade sem nunca ter pensado em trabalhar no ministério. Mas a verdade é que todos nós somos chamados para a obra e precisamos brilhar a luz de Cristo através de nossas vidas. E pós-seminário ou pós-chamado, precisamos ter essas lições em nossos corações. As promessas dEle para nós não acabaram…Deixe o Senhor dominar a sua vida e cuidar do seu tempo. Os frutos do trajeto vivido serão eternos!

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Resistente a provações

Agosto 19, 2009

O cuidado de Deus enquanto passamos pelo deserto

Na primeira noite em casa, após ter desembarcado do vôo Auckland-Buenos Aires-Porto Alegre (e lá se vão cerca de 15 horas), sabia que dormir não seria tarefa fácil. Apesar do cansaço, estava jet-lag e a diferença de fusos me deixava confusa e acesa. Consegui dormir perto da meia-noite, mas às 3 da manhã despertei! Estava com tanta disposição como se tivesse acordado tarde em pleno feriado! Olhei para as duas malas abertas e esparramadas, olhei para o guarda-roupa e tive uma brilhante/assustadora idéia: “por que não organizar tudo?”. Nas próximas três horas eu dobrei as roupas, tirei do armário o que não queria mais, re-arranjei tudo nos cabides e prateleiras e resgatei peças um tanto antigas. Encontrei uma antiga blusa de linha que minha mãe usou quando tinha cerca de 20 anos e, sem pensar duas vezes, planejei usa-la no próximo domingo.

Ficou espantado como pode uma blusa estar intacta mesmo após quase 40 anos? Bem, eu posso lhe informar passagens bíblicas para provar! Não, não se trata de fanatismo e tampouco de uma nova teologia dos sintéticos, mas sim do cuidado de Deus com seu povo no período em que estavam no deserto.

“Quarenta anos vos conduzi pelo deserto; não envelheceram sobre vós as vossas vestes, nem se gastou no vosso pé a sandália” Deuteronômio 29.5.

O povo saíra do Egito há 40 anos e, durante todo esse tempo, Deus provou os seus filhos no deserto. O Mar Vermelho se abriu e eles passaram. Maná foi mandado do céu todas as manhãs. Nuvem e coluna de fogo os protegeram. Água brotou da rocha. Tantos milagres, tanta provisão. Mas, roupas e calçados?

Paris Hilton teria um enfarte se tivesse que usar os mesmos calçados durante 40 anos. Provavelmente, eu e você também. Nem mesmo um tênis Adidas ou Nike resistiria a tanto tempo de uso sem intervenção de Deus! Ele cuidou para que nada se perdesse, manteve seus corpos protegidos e seus pés livres de inchaço (Dt.8.4). Meditando nesse texto, percebi que Deus manteve o povo intacto, livre de qualquer “degradação”, de qualquer desgaste ou estrago. Por 40 anos, costureiras e sapateiros estiveram desempregados! E também não é assim que Deus tem feito conosco? Não é esse cuidado que Ele tem dispensado?

Quatro dias, alguns meses, quarenta anos, o tempo da nossa provação varia. A frase conhecia e muito declarada é verdadeira: toda a promessa passa pelo teste do tempo. Para as surpresas que teremos com o futuro, o Senhor tem profundo interesse em nos preparar e fortalecer para o que virá. Ao testar nosso coração e moldar nosso caráter, Ele nos faz caminhar pelo deserto e passar pelas provações da vida. Mas assim como o povo de Israel não viu suas sandálias se gastarem ou suas roupas rasgarem, assim também não vemos nosso coração apodrecer. No tempo da prova, Ele tem o cuidado de nos manter firmes, fortes e abastecidos de toda a provisão necessária. Deus nunca quis acabar conosco, não quer nos levar para o deserto e fazer remendos em nossas emoções ou bainha em nossos pecados. Ele nos leva ao deserto e lá provê tudo o que é necessário para passarmos pelo tempo de prova.

Na etiqueta de nossa “roupa de pele”, provavelmente está escrito:
Marca: Provação
Tamanho: de acordo com as necessidades
Validade: à prova do tempo
Cuidados: Para melhor conservação, submeter aos cuidados de Deus

Enquanto caminhamos, enfrentamos dificuldades e, por vezes, pensamos não ser possível resistir. Mas Deus nos prova o Seu amor e nos faz entender que o tempo da prova não é tempo de destruição. É sim um tempo para preparar nossa matéria-prima, tornando-nos resistente a qualquer clima, seja desértico ou paradisíaco. E se essa moda pegar…as butiques é que se cuidem.

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MICOSES DA ALMA

Fevereiro 26, 2009

A sujeira precisa ser exposta

Já quero adiantá-lo de que o assunto é desagradável. Relutei durante muito tempo para escrever sobre isso, mas percebo que expor a situação pode ajudar muitas pessoas, assim como trouxe grandes resultados para minha vida. Já ouviu falar sobre micose? Pois é. Há alguns anos desenvolvi uma micose em uma das unhas. Fiz tratamento, tomei diversos remédios, tentei os naturais, os controlados por receita médica e até mesmo as últimas tentativas de tratamento, indicadas pela vizinha da amiga da minha tia avó! Nada resolveu. O tempo passou e eu estava cansada de tudo aquilo. Quanto tempo? Bem, até hoje a situação não mudou, e lá se vão quase quatro anos. Resolvi mascarar o problema – ou melhor, pintá-lo! Os mais variados esmaltes eram meus companheiros preferidos – conseguiam esconder o que me deixava constrangida.

A questão é que nada é para sempre, muito menos a minha paciência! Decidi que iria cortar a unha, ir novamente ao dermatologista e voltar a fazer o tratamento. Por quê? Porque nada é resolvido enquanto escondemos. Falar sobre o problema, pensar a seu respeito e encarar a realidade (ainda que vergonhosa) é a única forma de resolvê-lo. Foi assim com minha alma…

No salmo 32:3 diz: “Eu tentei, por algum tempo, esconder de mim mesmo o meu pecado. O resultado foi que fiquei muito fraco, gemendo de dor e aflição o dia inteiro”. Vivemos na alma o que vivi com o fungo. Colocamos o problema “embaixo do tapete”, contornamos a situação e com um sorriso amarelo estampado em nosso rosto, admitimos estar tudo bem. Entretanto, o salmista deixa bem claro que enquanto fizermos isso, tudo o que poderemos experimentar são nossas forças se esgotando, a dor aumentando e o coração agonizando.

Precisamos encarar. Se eu sei o quanto é vergonhoso? Sim, eu sei. Dias atrás fui confrontada pelo próprio Espírito Santo. Orgulho, falsidade, mentira, omissão, insubmissão, estes são só alguns assuntos que me fizeram ver a necessidade de expor o pecado para Deus, deixar o Espírito Santo sondar e o Seu perdão curar. Quem sabe em sua vida você também precise olhar de frente esses problemas? Ou quem sabe é a ganância, ou a maledicência, a imoralidade, a gula? Não sei. Talvez outros também não saibam, porque você – como eu – consegue maquiar muito bem a situação. Mas há alguém que consegue enxergar, alguém capaz de sondar o mais profundo do nosso coração. “Senhor, tu examinas a fundo a minha alma e conheces todas as coisas a meu respeito” (Salmo 139:1). É como esconder o fungo de um dermatologista: não vai convencer! Deus sabe que suas boas ações e sua presteza em ajudar são na tentativa de camuflar seu pecado. Ele entende quando você sorri demais para as pessoas, só para não desandar chorando quando vierem lhe perguntar se tudo vai bem. Ele percebe sua dor, ainda que suas brincadeiras sejam as mais divertidas do grupo.

Em seu admirável e desafiador livro “O obstinado amor de Deus”, Brennan Manning escreve, “Os cristãos que permanecerem no esconderijo continuam a viver uma mentira. Negamos a realidade do nosso pecado. Numa tentativa inútil de apagar o passado, privamos a comunidade de nosso dom curador. Se ocultarmos nossas feridas, por termos ou vergonha, nossa escuridão interior não pode ser nem iluminada, nem tornar-se uma luz para os outros”.

Não vale a pena esconder. Enquanto você banca “o fantasma da ópera”, com suas máscaras variadas, para cada tipo de situação, sua alma vai sendo destruída pela culpa, pela dor, pelo sofrimento. É tempo de tratamento. Aliás, sempre é. Hoje você corrige uma área, amanhã outra. E assim, vamos sendo tocados pelo médico dos médicos, capaz de dar uma solução para cada doença de nossas almas.
Ele quer nos curar. O orgulho nos faz imaginar que conseguiremos sozinhos. A vergonha nos faz pensar que seria melhor não expor a situação. O medo nos deixa apavorados com a idéia de tratamento, assim como uma criança arregala os olhos frente a uma injeção. Mas curar a alma é muito mais fácil do que curar a micose. O sofrimento continuou “até que admiti a minha culpa e confessei a ti o meu pecado” (Sl 32:5, grifo meu). “Até que” é a expressão chave! Confesse. A dor só consegue lugar onde não há confissão. O tratamento custa caro, leva tempo, mas a garantia da cura não é de qualquer dermatologista. É daquele que tem seu coração em Suas mãos.