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Novo ângulo!

Junho 19, 2009

Há 15 dias desembarquei no aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre com um mix de emoções incapazes de serem descritas. Após ter vivido na Nova Zelândia, a decisão de permanecer no Brasil trazia a expectativa e também a ansiedade pelo futuro inesperado.

Não foi a primeira vez que voltei ao Brasil após ter deixado o país, mas agora a sensação era diferente – teria que me acostumar novamente, a qualquer custo, com a vida aqui. E entre se acostumar e se acomodar, existe uma linha tênue a ser trabalhada e observada por todos nós. A partir do momento em que experimentamos algo diferente, encaramos a possibilidade de deixarmos o antigo pra trás e assumirmos o novo como sendo o melhor.

Em algumas situações, isso faz-se desnecessário, ou até mesmo perigoso. Depois de 3 dias em casa, arrisquei-me assumindo o volante. Seria tudo ao contrário, já que na Nova Zelândia dirige-se do lado esquerdo da rua. E mesmo sendo motorista habilitada há quase 10 anos, quase bati o carro! Deixei morrer o motor. Liguei o pára-brisa ao invés do sinal. Andei do lado contrário da rua e só percebi ao ver o motorista vizinho aproximar-se com o rosto um tanto aflito. Foi péssimo! Mas nada que 2 ou 3 vezes (com supervidores ao meu lado) não resolvessem o drama – eu logo, logo me acostumei com o trânsito.

Foi assim também com o café com leite (nada de latte, ou flat white, ou meu adorado caramel macchiato, a lá Starbucks), com a moda, com a língua (às vezes parece tão mais fácil falar em inglês), com o posto de gasolina, e “whatever else” que você possa pensar. Nos acostumamos, mudamos, adaptamos, ou, neste caso, voltamos a ser/fazer como era antes.

É como deve ser. O que não é essencial, é adaptável. Acabamos nos amoldando a outras preferencias pessoais, sistemas e modo de fazer – nada errado nisto. Observei, entretanto, que a partir do momento que experimentamos níveis mais elevados nos padrões condizentes a essência da vida, aí precisamos ajustar nossa “velha” maneira de pensar e propor uma mudança cultural ao invés de nos acomodarmos ao antigo sistema, por nós já rejeitado após uma experiência marcante.

Nesse tempo em que estive fora do país, percebi uma preocupação com qualidade de vida por parte dos neozeolandeses muito maior do que a nossa. Prática de exercícios físicos, preferência por lanches saudáveis e bebidas naturais às industrializadas, maior tempo com a família e uma ambição por se fazer da vida o que realmente gosta me “encheram os olhos”. Destas coisas, não abro mão. Eu sei, basicamente nós, brasileiros, gostamos de ficar em frente a televisão, somos viciados em coxinha frita e refrigerante, passamos os finais de semana com os amigos ou até mesmo desconhecidos e, se não bastasse, vamos ao trabalho como quem caminha em direção a cruz! Basta! Precisamos de um novo ângulo. Precisamos olhar para todas as experiências por nós já vivenciadas e reter algo de bom para nossas vidas. Se há algo para ser mudado, mudança seja feita!

Não há nada de errado em ser como somos. Mas há erro quando vemos que mudanças (para melhor) podem ser feitas e não as fazemos. Que cada um de nós encare o novo dia através de um novo ângulo, uma nova perspectiva, e que esta nos leve a uma vida ainda melhor, a uma perfeita novidade de vida.

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Para minha mãe…

Maio 11, 2009

Hoje, Dia das Mães, estou a 11 mil km de distância da minha. Mas todo o “espaço” entre nós no globo terrestre e as 13 horas de diferença em nosso fuso horário não mudam meu amor por ela e, sei, tampouco o dela por mim. É assim com toda mãe e filho(a): o carinho nunca morre, as conversas nunca terminam, o amor é constante.

Depois de quase 2 anos morando na Nova Zelândia, aprendi algumas coisas e gostaria de compartilhar algumas delas. E por favor, não se sinta culpado caso ainda não tenha percebido ou aprendido tais coisas. Apenas esteja certo de que, mais cedo ou mais tarde, a ficha acaba caindo. Sendo assim:

1º : Não importa qual for a culinária, comida de mãe é sempre a melhor!
Nessa experiência neo-zeolandês, já trabalhei como garçonete em churrascaria, restaurante italiano e restaurante francês. Os chefes, renomados. As receitas? De todos os lugares do mundo. Os queijos, condimentos, azeites e demais “pitadas de sal”, importados. Os preços, não para qualquer bolso! Nesses lugares já servi e fui servida. Todos os pratos que vendi e entreguei, também provei. Magníficos! Mas aí lembro daquele cheirinho de feijão ao chegar em casa, próximo ao meio-dia. É como se o aroma hipnotizasse a vizinhança inteira. Qualquer que passe pelo portão, arrisca: “feijão novo cumadre?!”. Enquanto a mesa é posta, a cuia de chimarrão passa de lá pra cá. Após a oração, todos se deleitam na comidinha da mamãe. Feijão, galinhada, strogonoff, salada de batata, sanduíche, não importa muito qual é o menu. Só de sabermos ter sido mamãe a cozinheira, tudo fica mais apetitoso; porque assim como aqui na NZ, ela pode até não usar Sazon, mas certamente faz com muito amor!

2º : Minha mãe é a verdadeira “Brastemp”!
Eu não sei quais são as marcas de maquinas de lavar/secar aqui na NZ, e pra falar a verdade, não estou interessada. Das duas, uma: ou não lavam direito ou lavam, mancham e encolhem minhas roupas. Há dois anos não sei o que é ter roupas lavadas, passadas e perfumadas! Minhas roupas não cheiram tão bem como as roupas lavadas em casa. Se roupa fosse gente, apresentaria as minhas ao “Sr. Ferro de Passar”, pois estas nunca o viram! Não adianta tentar, na casa da mãe as roupas são sempre limpas, macias e cheirosas – e vesti-las é como receber um abraço gostoso da nossa mãe!

3º : Conversa de mãe é conversa internacional!
Convivo com pessoas do mundo inteiro. Em meu ambiente de trabalho diversos lugares são representados: Inglaterra, Austrália, Índia, Filipinas, Áustria, Alemanha, República Tcheca, Chile, USA, Brasil (yes, somos nós!), África do Sul, e por aí vai…as conversas e culturas são as mais variadas possíveis. Mas há tipos de conversa que só a mãe consegue ter. É aquele bate-papo que dá a volta ao mundo todo, mas logo ali a frente imerge fundo em nossa alma. É um falar que restaura. É a troca de experiências que produz encorajamento. São palavras ressuscitadoras de sonhos…

Talvez você não tenha gostado do que escrevi. “Você pensa que cozinhar, lavar, passar e conversar é o que de melhor uma mãe pode oferecer?”. Bem, nesse exato momento eu adoraria poder desfrutar dessas três qualidades de minha mãe. Não importa se você é mãe e nunca lavou a roupa de seu filho. O que quero dizer é que são essas coisas básicas de “ser mãe” que de fato nós, filhos(as) apreciamos em vocês, mães. Porque não existe ninguém no mundo inteiro (nem mesmo no fim da Oceania!) que ame, cuide e nos satisfaça como filhos além de você, mãe. No dia de hoje, levantamos nossos olhos aos céus e agradecemos ao nosso Deus por sua vida. Obrigado por expressar seu amor materno de maneiras simples no nosso dia-a-dia, mas incapazes de serem esquecidas por nós filhos(as).

Feliz Dia das Mães
(e um beijo especial pra minha mamãe…logo estarei aí pra te abraçar!)

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MICOSES DA ALMA

Fevereiro 26, 2009

A sujeira precisa ser exposta

Já quero adiantá-lo de que o assunto é desagradável. Relutei durante muito tempo para escrever sobre isso, mas percebo que expor a situação pode ajudar muitas pessoas, assim como trouxe grandes resultados para minha vida. Já ouviu falar sobre micose? Pois é. Há alguns anos desenvolvi uma micose em uma das unhas. Fiz tratamento, tomei diversos remédios, tentei os naturais, os controlados por receita médica e até mesmo as últimas tentativas de tratamento, indicadas pela vizinha da amiga da minha tia avó! Nada resolveu. O tempo passou e eu estava cansada de tudo aquilo. Quanto tempo? Bem, até hoje a situação não mudou, e lá se vão quase quatro anos. Resolvi mascarar o problema – ou melhor, pintá-lo! Os mais variados esmaltes eram meus companheiros preferidos – conseguiam esconder o que me deixava constrangida.

A questão é que nada é para sempre, muito menos a minha paciência! Decidi que iria cortar a unha, ir novamente ao dermatologista e voltar a fazer o tratamento. Por quê? Porque nada é resolvido enquanto escondemos. Falar sobre o problema, pensar a seu respeito e encarar a realidade (ainda que vergonhosa) é a única forma de resolvê-lo. Foi assim com minha alma…

No salmo 32:3 diz: “Eu tentei, por algum tempo, esconder de mim mesmo o meu pecado. O resultado foi que fiquei muito fraco, gemendo de dor e aflição o dia inteiro”. Vivemos na alma o que vivi com o fungo. Colocamos o problema “embaixo do tapete”, contornamos a situação e com um sorriso amarelo estampado em nosso rosto, admitimos estar tudo bem. Entretanto, o salmista deixa bem claro que enquanto fizermos isso, tudo o que poderemos experimentar são nossas forças se esgotando, a dor aumentando e o coração agonizando.

Precisamos encarar. Se eu sei o quanto é vergonhoso? Sim, eu sei. Dias atrás fui confrontada pelo próprio Espírito Santo. Orgulho, falsidade, mentira, omissão, insubmissão, estes são só alguns assuntos que me fizeram ver a necessidade de expor o pecado para Deus, deixar o Espírito Santo sondar e o Seu perdão curar. Quem sabe em sua vida você também precise olhar de frente esses problemas? Ou quem sabe é a ganância, ou a maledicência, a imoralidade, a gula? Não sei. Talvez outros também não saibam, porque você – como eu – consegue maquiar muito bem a situação. Mas há alguém que consegue enxergar, alguém capaz de sondar o mais profundo do nosso coração. “Senhor, tu examinas a fundo a minha alma e conheces todas as coisas a meu respeito” (Salmo 139:1). É como esconder o fungo de um dermatologista: não vai convencer! Deus sabe que suas boas ações e sua presteza em ajudar são na tentativa de camuflar seu pecado. Ele entende quando você sorri demais para as pessoas, só para não desandar chorando quando vierem lhe perguntar se tudo vai bem. Ele percebe sua dor, ainda que suas brincadeiras sejam as mais divertidas do grupo.

Em seu admirável e desafiador livro “O obstinado amor de Deus”, Brennan Manning escreve, “Os cristãos que permanecerem no esconderijo continuam a viver uma mentira. Negamos a realidade do nosso pecado. Numa tentativa inútil de apagar o passado, privamos a comunidade de nosso dom curador. Se ocultarmos nossas feridas, por termos ou vergonha, nossa escuridão interior não pode ser nem iluminada, nem tornar-se uma luz para os outros”.

Não vale a pena esconder. Enquanto você banca “o fantasma da ópera”, com suas máscaras variadas, para cada tipo de situação, sua alma vai sendo destruída pela culpa, pela dor, pelo sofrimento. É tempo de tratamento. Aliás, sempre é. Hoje você corrige uma área, amanhã outra. E assim, vamos sendo tocados pelo médico dos médicos, capaz de dar uma solução para cada doença de nossas almas.
Ele quer nos curar. O orgulho nos faz imaginar que conseguiremos sozinhos. A vergonha nos faz pensar que seria melhor não expor a situação. O medo nos deixa apavorados com a idéia de tratamento, assim como uma criança arregala os olhos frente a uma injeção. Mas curar a alma é muito mais fácil do que curar a micose. O sofrimento continuou “até que admiti a minha culpa e confessei a ti o meu pecado” (Sl 32:5, grifo meu). “Até que” é a expressão chave! Confesse. A dor só consegue lugar onde não há confissão. O tratamento custa caro, leva tempo, mas a garantia da cura não é de qualquer dermatologista. É daquele que tem seu coração em Suas mãos.