Quero.

Quero te encontrar logo. Quero a emoção do primeiro encontro, o frio na barriga minutos antes de atender a porta às 8 da noite, como combinado. Quero comer pouco naquela noite e conversar muito. Descobrir que temos tudo em comum, ou pelo menos, complementar. Quero ver seu jeito único de tratar comigo, quero ler o recadinho sobre a mesa quando voltar do toilete. Quero chegar em casa com uma vontade louca de gritar, de beijar, de contar para todo o mundo que tu existes. No outro dia, quero receber tua ligação e escutar tua respiração, sem saber o que dizer. Quero planejar mil formas diferentes de dizer que aceito namorar contigo, mas responder do único jeito simples capaz de convencer-te. Sim, aceito desde que te vi. Quero começar minha história de novo, ao teu lado. Montar álbuns de fotografias do que vivemos juntos, sem esquecer que o passado nos fez chegar até aqui – me fez chegar diante de ti. Olhar-te e saber que estarei segura para o resto da vida em teus braços que me envolveram desde o primeiro encontro. Aproveitar tua companhia e rir à toa, porque ao teu lado a vida é incrível a cada instante. Quero poder sonhar a realidade. Planejar o véu e a grinalda, as flores e brincos, a lista de presente, a lista de convidados, a lista do que teremos a fazer, a lista de todos os minutos que passarei ao teu lado. Quero desfrutar da tua presença ao meu lado todas as noites e sentir tua respiração, sentir teu coração pulsando com o meu. Quero ouvir tua voz segura, me dizendo aonde ir, ouvir tuas orações me ensinando a obedecer e me ajudando a seguir aquele que dirige tua vida. Quero te contar o que aconteceu no meu dia, chorar e saber que entendes e não cansarias de enxugar minhas lágrimas e me fazer voltar a sorrir. Eu quero. Quero me preparar para cada jantar que me convidares, e sair contigo feliz por termos noites românticas depois de alguns anos caminhando juntos. Quero descobrir coisas novas contigo, aprender com tuas palavras e me parecer contigo. Quero passar por tantas experiências contigo que cada música romântica pareça estar falando de nós dois. Quero me entregar aos teus beijos e esquecer o tempo, largar mão do relógio e experimentar parte da eternidade. Quero te buscar após um longo dia de trabalho, te levar pra casa, preparar teu jantar, ouvir a chuva caindo e dividir minha noite contigo. Quero.

Quero tudo isso. Mas falta te encontrar. Vem logo.

obs.: texto escrito em 2006

A primeira noite

Seria minha primeira noite com ele. Coloquei minha camisola branca e, sentindo o frio em minhas mãos e pés – sem saber se por conta da temperatura ou do nervosismo – sentei-me na pontinha da cama. Tão logo percebi que ele estava ali, no quarto, meu coração começou a se aquecer. A presença dele era tão reconfortante, tão única, tão… minha. Ninguém nunca tinha chegado a esse nível de intimidade comigo. Não sabia muito bem o que fazer ou o que falar. Balbuciei alguma coisa, mas meus olhos marejaram – o que eu poderia dizer naquele momento tão esperado?

Seu sorriso me fez calar. Ali estava ele, desejando cada pedacinho de mim. Não estava ansioso, não temia nada e sabia exatamente como me conquistar. De repente, como quem começa a viver um sonho, passei a ouvir tudo o que mais desejara por toda a minha vida.

– “Você é linda! Não importa quantas pessoas existam no mundo, eu sou exclusivamente seu. Ansiei por esse momento. Obrigado por se entregar a mim. Quero fazer de você a mulher mais feliz dessa terra”.

Senti uma lágrima rolar pelas minhas bochechas quentes. Ser feliz – eu achava que este era um desejo inviável, distante da minha vida simples e tão…real. Mas de repente alguém queria me fazer feliz! Meus pensamentos foram interrompidos quando ele voltou a falar.

– “Prometo amá-la, consolá-la e protege-la por toda a sua vida. Na saúde ou na doença. Na fraqueza ou na força. Na prosperidade ou nos tempos mais difíceis. Eu estarei ali. Nunca vou te abandonar. Eu te amo”.

Ah, seria isso tudo possível? Essa era a noite mais incrível de toda a minha vida. Nunca tinha sido amada tão intensamente. Toda a minha vida seria diferente a partir daquela noite. Sozinha, nunca mais. Eu encontrara refúgio em seus braços.

Joguei-me para trás, deitei na cama e com um sorriso que extrapola os limites da boca, suspirei, olhando nos olhos do amado:

– Ah, Jesus.

Além da Dúvida

Há quem se aproxime de Deus por dúvida.

“Pode ser que exista inferno, melhor acreditar em Deus.”
“Tenho dúvida se passo dessa…fiz uma ‘fézinha’ para ver se melhoro.”
“Pra baixo todo santo ajuda, então, reza pra Deus que nunca é demais”.
Dúvidas. Pelo sim, pelo não, melhor acreditar.

A incerteza acerca da vida, a falta de convicção sobre o que realmente importa e a hesitação em viver pela fé traz um modo miserável de viver.  Sábio foi Bob Marley ao dizer, “a verdade dói, a mentira mata, mas a dúvida tortura.” Nenhum coração merece caminhar sem certezas.

Mas será suficiente acreditar simplesmente para sanar a dúvida? Crer em Deus meramente por ter algo a confessar? Ou deveríamos  crer para nos achegarmos à verdade?

A postura de Pedro, discípulo de Jesus, me intriga. Junto com seus companheiros de jornada, Pedro sobe no barco, já tarde da noite, a pedido do Mestre. O vento estava forte, as ondas altas e agitadas e, naquele momento, toda a experiência de pescador não fazia muita diferença. Horas depois, cansados de resistir à tempestade, Jesus aparece andando sobre as águas. Uma única declaração de Jesus deveria ser suficiente para seus corações se acalmarem. “Coragem! Sou eu. Não tenham medo” (Mt. 14.27b). Então Pedro irrompe em energia, ousadia e hiperatividade. “Se és tu…”. Ah, esse “se” é cruel.

Em alto mar, Pedro estampa sua única questão: ele precisava tirar a pulga de trás da orelha. Sua motivação? Provar se aquele era um fantasma ou o seu Salvador. Seus amigos perecendo no barco não eram motivo de sua preocupação naquele instante. A solução para o término da tempestade também não. Ele se aproximava de Jesus por um motivo: a dúvida.

Não fazemos o mesmo, erroneamente? Cremos em Jesus e esperamos caminhar sobre as águas, quando na verdade buscar a presença do Mestre é que nos mantém andando sobre elas.

O motivo pelo qual Pedro caminhava sobre as águas era tão raso para sustentar sua fé que ao reparar no vento e nas ondas, começou a afundar. Uma caminhada de fé não pode ser fundamentada na dúvida, pelo contrário, na certeza de quem o sustenta sobre as águas.

Pedro estava a alguns passos de Jesus. O único desafio desse homem de pouca fé era fitar os olhos em quem O chamara. Nada mais teria importância, nem mesmo a prova para sua dúvida. A questão maior era estar junto daquele que acalmaria a tempestade.

Quantas vezes me desvio do Seu olhar. As ondas são tão fortes, as circunstâncias gélidas, o vento perturbador e o mar da preocupação parece me submergir. Aquele momento em que continuo crendo que Jesus está bem ali, mas não ouso me aproximar dEle. É aquele dia em que manter os olhos acima das ondas parece surreal e não consigo alcançar a mão do Único capaz de me salvar.

Existe mais do que simplesmente crer que Jesus está perto. Você pode experimentar a Sua presença e se aconchegar no seu abraço redentor. Ele tem prazer em acalmar tempestades, tem poder para solucionar dias difíceis, tem autoridade para construir estradas firmes sobre ondas agitadas. Lance-se a Ele. Creia, mas não pare por aí. Encontre-O. Não há nada melhor do que entrar no barco com Ele.

 

Texto para Meditação: Mateus 14.22-33

Roupas limpas, alma lavada.

Texto velho, verdade atemporal: Ele quer um tempo com você!

Queila da Rosa | a vida em palavras

A lavanderia de Deus…

Você já teve essa sensação de estar sendo levado – por alguma coisa ou por alguém – a fazer algo diferente do planejado, não? Sua agenda foi cuidadosamente preenchida, os horários estão todos comprometidos, tudo perfeitamente encaminhado. Até o momento em que você é freado e levado a fazer algo completamente inusitado. Já aconteceu? Parabéns, você está no caminho certo – ou, pelo menos, está sendo guiado por Aquele que sabe bem qual o melhor caminho a seguir.

Hoje, enquanto escrevo, meu apoio não é uma escrivaninha, tampouco o colchão de minha cama confortável. A música de fundo não é a da banda preferida. Estou na lavanderia, ouvindo os estalos da máquina de lavar, enquanto minhas roupas são torcidas e limpas – assim espero. Acredite, isso não fora planejado. Eu nem mesmo tinha moedas compatíveis com a máquina! Mas de alguma forma, eu ouvi Deus dizendo:…

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Adeus, Salsinha

Não consigo me acostumar com esse silêncio. Minha companheirinha de quatro patas, de apenas oito meses, partiu. Dói o vazio da presença. Um dia sem ela e o sentimento de solidão dentro de minha casa me assombra. Não mais potinhos de água e comida, brinquedos (roídos, mordidos, aos trapos!) pela casa e o tapetinho para o xixi – onde ela mirava, relativamente, bem. Não mais os olhos que me convidavam a sair com ela pela rua, não mais a recepção calorosa ao chegar em casa, não mais a barriga quentinha para aconchegar meus pés a noite. Tudo é estranho e me faz chorar.

Salsa foi a escolhida de uma ninhada de Fox paulistinhas. Ela tinha 45 dias quando meu pai depositou-a em meu colo. Naquele instante já não havia possibilidades de ficar sem a espoleta ‘cachorrinha’. O nome foi escolhido de acordo com o que veio fazer – temperar os meus dias. E cumpriu muito bem seu papel: condimentou na medita certa cada novo amanhecer, com doses generosas de bagunça, alegria e espontaneidade.

Ela aprendeu a rotina da casa. Acordava de mansinho e pedia carinho. Uma vez em pé (depois de longas espreguiçadas e infindáveis bocejos), começava o seu dia fazendo a ronda na casa. “Tudo em ordem”, pensava. Sabia, não sei como (é essa incrível arte que os cachorros têm de saber tudo), se a roupa que eu vestia era para passeio ou trabalho. Enquanto eu me arrumava para sair, ela revirava a lixeira, roubava bolinhas de algodão e fugia com o tapete para a sala. Eterna diversão matutina.

O quanto tinha de energia tinha também de doçura. É claro, sua energia, por vezes, era além da conta (pensei em trocar seu nome para “Pimentinha”), mas seu olhar carinhoso quebrava meu coração nervoso. E assim foi me ensinando a amar mais, a rir mais, a tolerar mais. Que dom é esse que os cachorros têm de nos ensinarem tanto, em tão pouco tempo?

O dia está amanhecendo e pela primeira vez não a tenho comigo. Tinha planejado tanta coisa para nó duas. Ela sabia ser, todos os dias, minha melhor alegria.

Ontem, durante a cirurgia de castração, minha filhotinha partiu. Ainda sinto suas orelhinhas macias passando por entre minhas mãos. Tudo é estranho aqui. Minha vida nunca mais será a mesma por causa dela; e nunca mais será a mesma sem ela. “Junto” era sua palavra preferida – ia rapidinho até sua guia, pois sabia que estava incluída no passeio. É, junto. Queria tê-la junto comigo agora. Junto. As duas, juntas.

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Voltar a escrever…

Amigos, preciso voltar a escrever. As ideias vêm e vão.
Que tal me ajudar?

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